Estava navegando na internet um dia desses e me deparei com esta matéria: “Crise econômica aumenta casos de ansiedade e depressão”. Depois que li fiquei pensando, pensando e de certa forma concordo com ela, mas não completamente.

Não dá pra negar que nossa sociedade, independente da crise econômica atual do país, tem tido a capacidade de gerar pessoas cada vez mais ansiosas com as inúmeras cobranças que recebemos desde o dia em que nascemos.

Desde cedo são inúmeras as cobranças que devemos enfrentar, devemos fazer coisas e mais coisas para estar dentro dos padrões, devemos estar de acordo com o que nos é imposto e não podemos nem por um segundo questionar, pois dependendo da situação se houverem questionamentos, automaticamente virão ainda mais não sei quantos outros tipos de cobrança.

200447888-001Diante disso as pessoas estão cada vez mais em um círculo vicioso das coisas que precisam fazer e com isso, logo vem a cabeça o que vai acontecer se elas não alcançarem esses objetivos. E aí está o prato cheio pra ansiedade: sofrer com o passado e sofrer com o futuro. E aí onde fica o presente?

Acredito que essa frase resuma muito bem isso:

“A minha vida foi cheia de terríveis infortúnios a maioria dos quais nunca aconteceu.” — Montaigne

A ansiedade nada mais é do que esse eterno sofrer pelo que estamos prevendo, misturado com o sofrimento por aquilo que já passou e não podemos mudar.

E aí quando vemos o agora que é o que de fato temos, vai passando, passando e o sofrimento ficando, ficando.

Observação: Ah! Quando digo “nada mais é”, não me interprete mal, pois acredito que são esses pequenos detalhes nada simples, que tem a capacidade de nos desestabilizar e deixar a nossa vida cada vez mais difícil.

Voltando ao assunto, quando você está ansioso não é justamente isso que vai acontecendo? Você pensa em todas as possibilidades, já sofre por aquilo que você está imaginando que não irá dar certo, aí já pensa nas possibilidades para concertar – aquilo que nem aconteceu – e quando vê já está algumas horas, dias, meses do momento em que fisicamente você está. E como lidar com isso?

Como já disse, aqui não tenho a intenção de dar soluções, pois como Freud muito bem disse: “A felicidade é um problema individual. Aqui nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar por si só tornar-se feliz.”. Quero junto com vocês pensar a respeito de temas do cotidiano e quem sabe ajudá-los, para que cada um possa encontrar soluções para a sua própria história, dentro daquilo que vê como bom para a sua vida.

O que acredito que pode ser muito útil, é fazer algo que parece simples, mas que depois de um tempo de análise eu percebi que não fazia: Me perguntar, mas o que EU quero?

Em um primeiro momento pode parecer egoísta, mas depois você percebe que se não pararmos e nos colocarmos em primeiro lugar acabamos vivendo uma vida baseada no que a sociedade anda exigindo de nós, seja através da mídia, da família, amigos, trabalho, enfim… Podemos citar inúmeras formas como somos influenciados e acabamos nos deixando de lado, e quando esse tipo de coisa acontece a ansiedade tem espaço para aumentar pois nossos objetivos já não são nossos e acabam sendo influenciados pelas expectativas dos outros em cima de nós.

Você quer trabalhar onde trabalha? Você quer fazer tal curso da faculdade? Você quer (coloque aqui qualquer coisa)? Quando as decisões das nossas vidas são feitas baseadas nos outros, acabamos abrindo espaço para muito sofrimento, pois acabamos não tendo espaço para sermos nós mesmos.

Claro que na vida teremos momentos em que precisaremos abrir mão do imediato para alcançar um bem maior, ou até mesmo fazer sacrifícios em função da nossa família, mas até isso há de ser pensado e ponderado para ver se é o que de fato você quer e não o que querem para você.

E obviamente mesmo quando os planos são nossos acabamos tendo um pouco de ansiedade, mas a grande questão é que ao traçar um plano que parte de nós mesmos, conseguimos enxergar com mais clareza a situação que está a nossa frente e entender um pouco melhor os obstáculos a serem enfrentados; quase como se pudéssemos tirar as tralhas que vão aparecendo no meio do caminho, ou esvaziando a mala que levamos conosco!

Te desejo uma ótima semana e que você comece esse processo de olhar mais para você mesmo, que pode ser estranho no início, mas que com certeza vai valer a pena!

Com carinho

Júlia