“Remédio pra dormir, remédio pra acordar, remédio pra acalmar, remédio pra alertar….”

Esses dias aconteceu mais uma cena que me fez pensar. Estava eu na fila da farmácia e notei uma moça bem nova com uma cara triste, cansada… olhando para ela notei que estava com uma receita de um remédio psiquiátrico e fiquei pensando, será que essa moça além de estar com essa receita, o que me faz pressupor que está fazendo um acompanhamento psiquiátrico, também está fazendo acompanhamento psicológico?

Hoje em dia quantas não são as pessoas que tomam remédios fortes, com o objetivo de “consertar” algo que está “errado” com o seu psiquismo? E quantas vezes isso não é feito de uma maneira tão leviana, irresponsável?

remédioNão estou dizendo que sou contra os medicamentos, não, nada disso, acredito que em
alguns casos eles sejam extramente necessários, porém, não em todos e também não de forma isolada, sem outro tipo de acompanhamento e muito menos que devem ser usados como primeira opção.

Acredito que o nosso corpo sempre está nos mandando sinais, se você tem uma febre, alguma coisa está errada e você está recebendo um alerta. E assim também acredito que aconteça com tantos outros sintomas. Eles aparecem por alguma razão e tem algum sentido.

Se existe falta de sono, agitação extrema, nervosismo, dores, fobias, alucinações, depressão, seja lá o que for, o corpo está avisando que alguma coisa está errada e o medicamento  terá como objetivo sanar estes sintomas aparentes, o que está incomodando e nada mais. Mas por que será que o corpo precisou mandar um sinal tão drástico para avisar que alguma coisa ia mal?

O medicamento, irá atuar no sistema nervoso central e irá equilibrar a questão fisiológica que está fora do padrão, mas será que o medicamento irá ajudar a pessoa a pensar sobre o que está errado? Lhe dará condições e recursos para se reposicionar diante daquilo? Mesmo sendo uma doença diagnosticada, como a pessoa fará para lidar com ela?

Li recentemente uma frase que vem muito a calhar:

“Essa mudança no “hardware” do cérebro só trará benefícios se houver uma mudança no “software” – o comportamento do paciente – algo que não é suprido pelos antidepressivos, só podendo ser alcançado mediante a psicoterapia ou terapias de reabilitação” – via Redepsi

Por isso, mais uma vez convido você a pensar. Não só com relação aos remédios, mas sobre tudo o que entorpece e te impede de pensar e se recolocar diante dos problemas de sua vida.

Claro que não é fácil lidar com eles, claro que dói, machuca e as vezes não é nada confortável, dando a impressão que é melhor fingir que não estão lá. Mas, como já disse outras vezes, se conhecer é se permitir levar uma vida diferente e se encontrar diante do emaranhado dos problemas que nos rodeiam.

Separe um tempo pra você, pense sobre sua vida, com certeza valerá a pena!

Com carinho,

Júlia