Uma reflexão sobre amor próprio e cuidados com o corpo

Uma reflexão sobre amor próprio e cuidados com o corpo

Tenho pensando muito ultimamente na relação que nós mulheres temos com nosso corpo e a nossa saúde. Nos últimos anos vem crescido a onda fitness, que tem como um dos jargões o “cuidar do corpo, por que afinal de contas moramos nele”. Uma frase linda, não é mesmo? O que será que uma frase que te incentiva a cuidar de si pode ter de ruim?

Mas, seja por influência dessa onda de perfis ou por outras influências também, muitas pessoas se vem infelizes quando se olham no espelho, pois é como se nunca estivessem se cuidando e se amando o suficiente, seja por que não fizeram exercícios suficientes, seja por que comeram alimentos que “não são tão bons ou saudáveis” como a última dieta perfeita que alguém, ou até mesmo algum médico falou na internet e  sentem “um balde de água fria” quando abrem alguma rede social e vêem que uma das pessoas que segue já acordou e foi a academia, ou que o prato que apareceu em uma foto “é mais saudável” do que o que ela pode preparar/comprar naquele dia, ou por que simplesmente ela resolveu comer uma massa ao invés de uma salada.

Outro ponto que mesmo sem a gente perceber acaba tendo uma enorme influência na forma como lidamos com nós mesmos, são as fotos de antes e depois, que muitas vezes são seguidas de frases como “se eu consigo, você consegue”, que acaba colocando todo mundo no mesmo nível, tanto de habilidades físicas para chegar ao tal resultado – sendo que cada um de nós somos únicos seja pelo nosso típico físico ou no que diz respeito ao nosso metabolismo, podendo ter mais ou menos disposição para perda de peso, disposição para malhar ou até mesmo diferenças hormonais que podem ser decisivas para a forma como nosso corpo reage aos estímulos de dietas e exercícios.

Tenho percebido que esses tipos de perfis “incentivadores” de uma vida saudável, podem acabar sendo verdadeiramente “incentivadores” de uma vida infeliz e permeada por comparações constantes. Pois por mais que possamos dizer que esses tipos de perfis tem boas intenções e seguimos para nos inspirar, devemos avaliar o tipo de influência que isso acaba trazendo.

Quando alguém diz que você pode tudo, sinto lhe dizer, isso não é verdade! Na vida podemos muitas coisas, mas não, não podemos tudo! Pode parecer um exemplo bobo, mas eu que calço 38, não posso colocar um sapato 33. Simplesmente não dá! E por mais que digam que determinação faz a diferença, nesse caso, isso só vai me fazer sofrer e ir atrás de um ideal que não é o meu.

E quando falamos da “busca dessa vida mais saudável”, podemos cair na armadilha de desejar algo que está fora das nossas possibilidades, seja com relação a desejar a ter um corpo que está fora do nosso biotipo, seja por desejar uma rotina de exercícios que pode ser muito pesada e difícil para se encaixar na rotina que temos, ou seja por desejar ter uma alimentação muito difícil de seguirmos ao longo do nosso a dia a dia.

Com isso, você pode me dizer que estou exagerando, que você conhece fulano ou ciclano que mudaram de vida. Realmente, isso é verdade, mas para um ciclano e um beltrano que postam na internet que conseguiram, eu me pergunto por quanto tempo eles conseguirão seguir essa vida, em uma vida real. E para cada uma dessas pessoas que conseguiram, existem dezenas que estão infelizes por que “elas não foram tão fortes ou determinadas” quanto eles, que acabam entrando em um ciclo de culpa, auto depreciação e angústia, que pode ocasionar doenças psíquicas e físicas.

amor-proprioSe você chegou até aqui, quero te convidar a pensar em algumas coisas:

Se esse tipo de perfil na internet não te faz muito bem, por que você ainda os segue? O que de verdadeiramente bom eles estão trazendo a sua vida? Qual a sua reação quando você vê essas postagens e qual a reação que você tem consigo mesmo?

Se essa reação costuma ser negativa, eu gostaria de te perguntar se esse tipo de reação você também tem com alguém que você conhece ou você só acaba SE tratando mal? Será que você conseguiria se amar e se tratar com carinho como você faz com as pessoas que você ama? Quem sabe hoje você não poderia tentar?

Acho que mais do que “cuidar do corpo, por que afinal de contas moramos nele”, devemos nos amar e nos respeitar como um todo, nos dando colo, nos dando compreensão, nos respeitando e respeitando as nossas limitações.

O amor próprio deve começar não pelo amor pelo físico, mas pelo amor pela pessoa que somos!

Se você gostou do texto, compartilhe e comente. Gostaria muito de saber a sua opinião sobre o que escrevi!

E se você acha que talvez chegou a hora de cuidar de si de uma forma diferente, não tenha medo de buscar ajuda de um psicólogo! Entre em contato comigo, ou com alguém de sua confiança, com certeza isso poderá mudar a sua vida!

Com carinho,

Júlia

 

 

 

By | 2017-09-20T14:08:06+00:00 julho 6th, 2017|Comportamento|1 Comment

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One Comment

  1. Aline 06/07/2017 at 5:54 pm - Reply

    amei o texto e a reflexão dele. Realmente damos importância demais a coisas que nos fazem mal. E a frase: não podemos tudo é um ótimo norte pra não nos condicionarmos a sermos refém da vida. Amiga está cada vez mais gostoso de ler seu blog, estou adorando.

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