Casamento: Administrando Expectativas

Casamento: Administrando Expectativas

O que dizer sobre o casamento? Não me refiro aqui ao casamento formal, mas sim a união entre duas pessoas para uma vida em comum.

Mesmo com tantas mudanças nos arranjos familiares, o casamento continua sendo tão desejado e valorizado para a grande maioria das pessoas. Contudo, há também aquelas que não desejam se casar, vão muito bem e agradecem.

Independente de suas diferentes configurações, a união conjugal traz embutida consigo a expectativa de uma vida compartilhada, repleta de felicidades, sucesso e realizações…Contudo, muitas dificuldades poderão aparecer neste caminhar…

Mesmo havendo amor e respeito, tem dias em que achamos difícil conviver com nós mesmos, imaginem com os outros… Além disso, nem sempre os ingredientes considerados importantes para uma boa relação estão presentes. O que serve para uns, pode não servir para outros. As diferenças pessoais que poderão possibilitar uma rica troca também podem fomentar muitos conflitos relacionais. Nem todos se sentirão felizes e não é tão simples mudar…

Entretanto, mesmo que nem tudo seja doce, para muitos é melhor acreditar e continuar tentando… Para outros isto representará mais amargor! Conviver oferece grandes oportunidades de descobertas e crescimento, mas também oferece riscos…

Ainda assim, interessantes pesquisas na área de família revelam que mesmo com tantos descasamentos, quem nunca se casou, frequentemente quer se casar, e quem já se separou, quer recasar-se….

Desde cedo muitos de nós aprendemos a alimentar a ideia de que o casamento é um ideal encantado, que cura todos os males, onde os apaixonados se unem para serem felizes para sempre…Entretanto, somos mais parecidos com os “sapos” e com as “borralheiras” dos contos de fada, do que com os príncipes e princesas, não é mesmo? Não me refiro aos padrões estéticos, mas sim à realidade dos mesmos. Além disto, os contos de fada terminam dizendo que os parceiros (as) serão felizes para sempre, mas não mostram o dia a dia do casal.

O que parece muito presente, até mesmo nos contos de fadas, é que um casamento feliz também se constrói nas diferenças e não apenas nas semelhanças; nas realizações, desafios e tropeços e não apenas nos êxitos; na cumplicidade diante da dor, mas também diante das alegrias. É claro que é preciso haver afinidade, mas jamais haveria troca e consequentemente aprendizado se nosso parceiro (a) fosse igual a nós.

A riqueza do ser está na sua singularidade, mas também no potencial de crescimento que o compartilhar de experiências , ou seja, que a diversidade entre os seres pode proporcionar. Se encontrássemos no outro o nosso espelho, como nos reinventaríamos, como aprenderíamos e cresceríamos com o novo? Que bom que somos diferentes! Que difícil também! Pior ainda se fossemos iguais! Diz a sabedoria popular: “dois bicudos não se beijam”.

Frequentemente a mágoa advinda desta dificuldade em administrar expectativas gera uma “frieza”. Tal “frieza” congela sentimentos que poderiam nutrir a relação, evitando decisões precipitadas. Uma vida sem obstáculos não é a nossa realidade, nem como pessoas singulares…

Isto não quer dizer que se deva insistir quando o que uniu já não existe mais, ou se iludir acreditando que tudo vai passar sem nenhum cometimento ou comprometimento. No entanto, será que todas as possibilidades já foram efetivamente tentadas ou você está apenas esperando que o outro mude? Ninguém muda ninguém, a menos que o outro queira. Mudar é uma prerrogativa individual. E se não podemos mudar o outro ou a situação, podemos por outro lado mudar a maneira como estamos lidando com eles, dirigindo nosso olhar para o que é importante e conveniente mudar em nós. Isto nos compete e poderá fazer toda a diferença, inclusive levando o outro a mudar a partir de nossa mudança.

Sem ou com casamento, o que todo mundo quer é ser feliz. No entanto, talvez estejamos buscando esta felicidade sempre fora de nós, onde não estamos ou não somos.

Se você não está satisfeito, não deixe a situação piorar, faça alguma coisa por você(s). Caso necessário, peça ajuda profissional. Melhor tomar decisões importantes quando se está mais amparado e convicto de que tudo foi tentado.

Você merece ser feliz!

Viva!

Sandra Sales

By | 2017-11-24T04:08:27+00:00 outubro 14th, 2017|Comportamento|0 Comments

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: