Auto-aceitação

Auto-aceitação

Ao admirar a figura de um pavão, ficamos extasiados diante de tanta beleza.
Entretanto, mesmo diante de tanta formosura, diz a fábula que ao olhar para suas patas o pavão fica desapontado e se entristece.
Apesar de tanta majestade, procura esconder de si mesmo e de outros, que também revela partes de si mesmo menos nobres, que não aprecia e não gostaria de reconhecer.
Contudo, ao invés de fixar-se no chão e fechar-se em sua aparente fraqueza, busca superar-se abrindo-se em toda sua plenitude.

Ao abrir-se pode voar, brilhar, renascer. Redescobre a riqueza de suas cores e a grandeza de suas possibilidades.
Olha para cima e, ao levantar a cabeça, transcende sobre suas sombras e contempla novas alternativas, que se expandem e se renovam.
Deseja convencer a todos e a si mesmo que pode ir além. E vai…
Sua parte mais frágil é também sua sustentação.
É belo porque não é parte, é todo; porque é único; porque “se aceitando, pode então mudar”. E muda…
A cada inverno desfaz-se de suas belas plumas, que não lhe servem mais, oferecendo espaço para as novas. Aproveita as oportunidades para mudar o que é possível e aprende a lidar com aquilo que não pode ser mudado.

Muitas vezes nos escondemos atrás das fachadas, vivendo uma vida de pseudo-opulência, ocultando de nós mesmos e dos outros nossas partes menos coloridas.
Entretanto, se não olharmos para dentro e nos abrirmos à renovação, ficará difícil crescermos. Como crescer se acreditamos que estamos prontos ou perfeitos?
Como obter ajuda se não temos necessidades ou não queremos vê-las?
Como “voar” se ficamos presos ao que nos mantém infelizes ou que não apreciamos em nós mesmos?
Como “brilhar” se não valorizarmos nossas possibilidades e damos impulso ao que há de colorido em nós…
O reconhecimento da escuridão pode nos levar a buscar a “luz”, mas é preciso abrir-se à experiência, é preciso querer…

Não haverá mudança sem trabalho interior, nem crescimento sem respeito às nossas limitações, mas também às nossas possibilidades, aceitando-se, construindo-se e reconstruindo-se…
Temos muito a aprender com o pavão!
Que ele nos inspire a alçar novos voos.

Sandra Sales

By | 2018-02-18T10:50:17+00:00 fevereiro 15th, 2018|Comportamento|0 Comments

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