A tal da Gratidão

A tal da Gratidão

Ultimamente tenho pensado bastante sobre a palavra GRATIDÃO. Alguns pacientes já acabaram trazendo esse ponto como tópico de sessão e eu mesma já me coloquei a pensar sobre isso. Tenho a impressão que muitas vezes somos colocados (mesmo sem querer) em um beco sem saída em que se torna quase uma obrigação sermos gratos a tudo o que acontece em nossas vidas. Me dá uma impressão inclusive que mesmo que a situação seja incrivelmente difícil, é meio que “errado” nos permitirmos sentir tristeza, decepção, incômodo ou qualquer outro sentimento “negativo” em relação ao que estamos vivendo.

Tenho pensando bastante sobre como é possível poder sentir gratidão e mesmo assim nos permitirmos sentir os outros sentimentos que são vistos como não tão “nobres”. Foi então que hoje vi no instagram o trecho de um livro em que o autor citou que no taoísmo (religião chinesa) enxergar só um lado da situação seria como mutilá-la. O que acabou me fazendo pensar que muitas vezes nós nos mutilamos quando acabamos por nos forçar a não sentir nossos próprios sentimentos e angústias, por estes serem considerados “ruins”.

Sabe, para que possa existir dia, é preciso existir a noite, para que exista a luz, é preciso existir a escuridão, assim como para poder existir a felicidade, é preciso existir a tristeza.

Nossa complexidade como seres humanos únicos faz com que cada um de nós tenhamos uma reação diante de determinado problema, e isso pode fazer com que muitas vezes nos sintamos inadequados por não nos comportarmos exatamente como as pessoas a nossa volta. E pensando nisso, no que diz respeito a questão da tristeza, acredito que a situação fique ainda mais delicada pois não é fácil lidar com a angústia alheia… e a tendência das pessoas é tentar fazer com que o outro fique bem, sendo que na verdade, para se ficar bem é preciso elaborar aquilo que está nos trazendo o aborrecimento.

E aí você me pergunta, e como é que fica a GRATIDÃO nessa história toda? Bom, fiquei pensando que nos obrigarmos a sermos gratos por tudo pode acabar nos machucando e fazendo com que a gente não se permita a vivenciar os nossos sentimentos, porém, precisamos lembrar que as situações difíceis não resumem toda a nossa vida e nos permitirmos lembrar de um ponto que considero muito importante: olhar para outras áreas da nossa vida para lembrarmos que a vida não é só tristeza. Ou seja, não mutilarmos as nossas vidas nem tirando o que trás a dor, e nem mutilarmos aquilo que trás o bem, fazendo assim um exercício de enxergarmos as coisas com uma perspectiva mais ampla.

Então, diante de tudo isso se eu fosse definir o que seria GRATIDÃO eu diria que é sobre poder olhar as coisas positivas das nossas vidas (pra isso existe uma expressão em inglês que eu adoro: counting your blessings – contar as bençãos) e através delas encontrarmos forças para seguirmos através das situações da nossa vida, podendo então pensarmos que os dias ruins podem vir, mas que sem dúvida algumas eles não definem toda a nossa caminhada.

Nós não precisamos ser nada o tempo todo: nem gratos, nem tristes, nem alegres, nem bravos, mas é preciso nos permitirmos sentir aquilo que se passa dentro de nós, pois há tempo para todos os tipos de sentimentos e é isso que faz a vida essa montanha russa tão cheia de emoções!

E lembre-se: se algum momento da sua vida você se vê em uma situação delicada e passar por ela se encontra difícil, lembre-se que procurar ajuda não é sinal de fraqueza nem de doença, procurar ajuda é se permitir falar desses sentimentos, atravessá-los e poder dar um novo significado!

By | 2018-03-23T07:53:26+00:00 Março 23rd, 2018|Comportamento|0 Comments

About the Author:

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: