VIDA: tecendo diferente velhos e novos fios!

VIDA: tecendo diferente velhos e novos fios!

Rasguei a camisa…
Tinha uma maçaneta bem no meio do caminho…Por que ela tinha que estar lá?
Fiquei ferida também… Doía! Ardia!
Gostava tanto da camisa…Parecia que era a que melhor combinava com a calça justa. O que fazer agora?
Levei à costureira para consertar. Uma semana depois ela não havia se dedicado à minha camisa predileta e nem se interessou em fazer o remendo.
Tentei insistir, mas ela me disse: “não serve mais.”
Fiquei ofendida! Como assim? Eu já a havia remendado tantas vezes…

Saí de lá pensando em como a gente se apega ao “gasto”, mesmo quando já não nos serve mais, pelo menos não da mesma forma…
Quantos objetos, experiências, pessoas insistimos em manter em nossas vidas, mesmo quando já deram a sua contribuição e não querem e/ou não podem mais permanecer, pelo menos não da maneira que havíamos concebido inicialmente…

Às vezes o remendo vale a pena. Outras vezes não tem mais jeito, não vale insistir, poderá estragar mais…
Isto não quer dizer que o “bem” perdeu o seu valor intrínseco, mas que precisa ser reinventado ou ressignificado…
Tudo tem o seu valor! Nada, nem ninguém é descartável, mas capaz de transformação. Alguém já disse isto antes, não é mesmo, Lavoisier?
Poderá ser útil para outras situações ou pessoas. Poderá colaborar de outra maneira.

Talvez, inicialmente, não tenhamos escolhido este “bem”, mas ele estava ali e foi ficando… Talvez fosse apenas conveniente ou idealizado…Talvez não tenhamos cuidado adequadamente ou não fosse para durar, pois carecia de bases sólidas ou qualidade. Talvez nossas expectativas fossem além de suas possibilidades… ou não dependesse só da gente. Talvez não fosse um “bem”… ou tenha deixado de ser. Talvez o problema sejamos nós…
Não precisamos gostar de tudo e de todos. Pelo menos, não igualmente, ou na base da insistência ou para sempre…Entretanto, o respeito se faz necessário pois tudo é importante e nada irá se perder, sempre haverá algo para aprender.

Existem preciosas lições em grandes desafios!
É preciso reconhecer, como disse o poeta, que alguns ciclos se fecham para nos oportunizar outros novos.
Mas o que nos leva a insistir? Orgulho, vaidade, apego excessivo, ilusão, posse, carência, onipotência, baixa autoestima, dependência (não posso viver sem, mas você vivia antes!), falsas expectativas, medo, raiva (às vezes de si mesmo), autopunição, cobranças, acomodação, camuflagem de outros interesses ou sentimentos, conveniência…

Estas indagações, acompanhadas de uma boa reflexão, poderão nos auxiliar a sair da mesmice, trilhar novos passos, encontrar algo novo, ainda melhor, ou continuar a costura, mudando algo. Protelar ou estender o que está ruim, sem nada fazer, poderá levar tudo a se romper, se é que já não se rompeu, fazendo sofrer ainda mais, pois já não agrega, está ferindo e chegou a hora de juntar os trapos para costurar de novo e não se rasgar ainda mais…
Chegou a hora de tecer diferente ou tecer novos fios!
É preciso aceitar alguns limites e se respeitar. Considere, reconsidere, converse, busque ajuda, mas tome uma atitude. Evite maiores desgastes para você ou para o “bem”.

Às vezes é preciso deixar ir, para poder voltar…ou não…
Você não precisa continuar se maltratando ou maltratar ninguém, apenas mude a rota. Se for o caso, costure uma vez mais, explore todas as possibilidades, pois sabe bem onde estão os rasgos e remendos necessários e possíveis, mas quando estiver rasgado demais, aceite a imperiosa necessidade de mudança. Caso contrário, você se sentirá “descamisado” ou rasgado (a) também.

O que já foi bom um dia, pode não ser mais. Mudar ou viver o novo assusta, mas é a única maneira de não se rasgar junto com a “camisa”… E você não precisa fazer isto sozinho!
Busque diferentes pessoas que poderão te ajudar, inclusive profissionais.

Fiz um paninho lindo com a camisa rasgada. Encontrei a solução e uma nova costureira ajudou-me a tecer… Ressinifiquei sua existência em minha vida. Hoje o aprecio de outra forma.
Comprei três camisas novas. Eu mereço. Estou mais feliz agora! E você?

Sandra Sales Sousa

By | 2018-06-04T10:51:56+00:00 junho 4th, 2018|Resiliência|0 Comments

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