Uma reflexão sobre Kate Spade, Anthony Bourdain e o desejo de não mais sofrer

Falar sobre a dor para podermos superá-la

Uma reflexão sobre Kate Spade, Anthony Bourdain e o desejo de não mais sofrer

No início da semana passada a famosa estilista Kate Spade se suicidou, uns dias depois foi dada a notícia que o jornalista e chef Anthony Bourdain também havia se suicidado, cerca de um mês antes o DJ Avici cometeu o mesmo ato desesperado… Inúmeros são os casos de famosos e “anônimos” que chegam nesse ponto, e outros tantos ainda não o fizeram, mas por vezes desejam desesperadamente. São sentimentos que vão aos poucos aumentando…

A angústia, solidão, desespero… E muitas vezes numa tentativa de amenizar as coisas frases como “Quando tal coisa acontecer estarei bem….”. O que me fez pensar muito nesses dias: Kate Spade, Anthony e tantos outros não tinham tudo o que muitos almejam e dizem que estariam bem se o tivessem? Então… o que foi que aconteceu?

A depressão não mata de um dia pro outro, ela chega e vai crescendo, aumentando. Ela dá sinais! Mas… estamos muito mais atentos aos nossos corpos com relação a outros sinais do que com relação a tristeza, desânimo e ansiedade… Quantas vezes não priorizamos cuidar de outras áreas das nossas vidas em detrimento da saúde mental?
Se pudéssemos falar mais sobre nossos sentimentos muitas vidas poderiam ser salvas, muitos problemas evitados… Porque sem saúde mental, não se tem nada!

Precisamos falar sobre saúde, sobre saúde mental com a mesma naturalidade que falamos de cuidados médicos de outras áreas e falamos sobre o cuidado ao meio ambiente por exemplo!

Precisamos aceitar nossos lados não tão bonitos, precisamos falar das coisas difíceis para não ficarmos presos a elas.

Traduzi livremente esse post que me impactou e te convido a refletir sobre ele e quem sabe começar a mudar essa cultura ao seu redor. Uma palavra de amor e aceitação pode significar alguém com mais chances de ter uma vida diferente!

“A capa do meu latop é Kate Spade. Minha carteira é Kate Spade. Meu chaveiro adorável de cactos é Kate Spade. A bolsa que minha filha usa é Kate Spade; além disso, eu acabei de comprar uma nova há algumas semanas. O telefone que eu estou segurando na minha mão enquanto eu escrevo isso, tem a capinha da Kate Spade.

No entanto eu não fazia ideia que essa mulher maravilhosa, talentosa e criativa sofria de depressão. Eu sabia que ela foi para ASU, que nós visitamos na semana passada. Eu sabia que foi lá que ela conheceu o marido, o qual ela hoje deixou para trás junto com a filha deles. Eu sabia da história da sua marca. Mas não sabia que ela sofria de depressão.

Por que seria da minha ou da sua conta saber disso? Obviamente não é.
Mas eu soube quando Patrick Swayze estava enfrentando um câncer no pâncreas. Eu sei que a Cynthia Nixon é uma sobrevivente de um câncer no seio. Eu sei que a Selena Gomez tem lúpus e recentemente passou por um transplante de rim. Eu sei que David Letterman sofre de problemas cardíacos. Eu sei que Lance Armstrong sobreviveu a um câncer no testículo.

Mas eu não sabia que a Kate Spade sofria de depressão.
Ou que o Robin William também.

Porque por alguma razão em nossa sociedade se tornou mais aceitável falar sobre seios e testículos do que sobre a mente, os sentimentos e os químicos e hormônios que nosso cérebro libera e controla e sobre as mensagens que ele transmite.

Enquanto a depressão for vista não for vista como uma DOENÇA e não como uma condição que precisa ser “curada”, por ser ignorada com frases como “tente ser feliz”, “olhe para o lado bom da vida, você tem muitas coisas para ser grato”.

Enquanto a ansiedade não for vista como uma DOENÇA e não uma condição que precisa ser “curada”, por ser ignorada com frases como “somente não tenha medo de…”, “supere isso!”

Depressão, transtorno bipolar, ansiedade e etc alimentam a sua mente com as mensagens erradas. Eles te dizem que você precisa ter medo de coisas que talvez você não deveria. Eles dizem que você não é bom o bastante e que você não merece estar vivo e que as coisas não vão ficar melhores. Eles dizem que todo mundo a sua volta está te perseguindo, que estão todos te olhando e que estão todos te julgando.

Mas infelizmente a última frase é verdadeira. As pessoas julgam aqueles que tem uma doença mental. Será que as pessoas também julgam alguém com câncer? Com doença cardíaca? Doenças auto imunes? Um tumor?
Você diria a eles para apenas “superarem isso?” Como se as pessoas que sofrem de doença mental pudessem de alguma forma apenas desejar isso? Você não acha que eles fariam se pudessem?!

Enquanto o estigma sobre a doença mental não for removido, enquanto a sociedade não aceitar de forma autêntica que se trata de uma doença… aqueles que sofrem com esse tipo de doença continuarão escondendo a situação em que vivem.

Em alguns casos com auto medicação, drogas e álcool.
Em alguns casos com obsessões pelo corpo perfeito e alimentação.
Em alguns casos com compulsões.
Em alguns casos, como com um amigo de quando eu tinha 20 e poucos anos, que pulou de um penhasco em L.A.
Em alguns casos, eles vão se dependurar no quarto com um lenço vermelho no seu lindo apartamento em N.Y.

A depressão é um monstro. E se você não começar a aceitar que a doença mental é uma doença e não uma brincadeira de criança… se você não responder com amor e compaixão quando alguém resolve falar sobre isso… se você conhecer alguém e você o fizer se sentir fraco por causa disso… talvez esteja na hora de você se questionar se de fato você não é o fraco da história…
Descanse em paz, Kate Spade.”

Link para o post original

Precisamos urgentemente aceitar que a vida tem seus altos e baixos, que temos dias ruins e que não há vergonha passar por eles e enfrentá-los, nos cuidando e amando sem preconceitos!

Pois se não, esses dias poderão se tornar semanas, as semanas em meses, os meses em anos e toda a vida se torna um caminho de dor e sofrimento.

By |2018-06-10T09:28:45+00:00junho 8th, 2018|Comportamento|3 Comments

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3 Comments

  1. Valkiria 10/06/2018 at 5:13 pm - Reply

    Muito bom seu texto Júlia, ótima reflexão!

    • julainetti 18/06/2018 at 2:59 am - Reply

      Obrigada Valkiria!

  2. Cléo senna 18/06/2018 at 10:19 pm - Reply

    Texto para refletir, parabéns Júlia por abordar um tema que todos ignoram.

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