Mês passado tive a oportunidade de ir a Genebra e passeando pela cidade me deparei com essa escultura que muito me tocou. Essa obra intitulada “Melancolia” do artista Albert György é marcante não só pelo seu tamanho e forma, mas também pelo seu significado, ela foi esculpida ao longo do seu período de luto do artista após perder sua esposa.
 
Freud, afirma que o sentimento que corresponde à melancolia é o luto, o desejo de recuperar algo que em algum momento foi perdido.
Para ele, no caso da melancolia é como se houvesse um buraco na esfera psíquica, um buraco que remete a algo que não podemos mais alcançar.
 
Não sei se o escultor leu Freud em algum momento da vida, mas a escultura dele não poderia ser mais psicanalítica ao representar o que Freud escreveu há tanto tempo e que ao mesmo tempo é tão atual, pois em diferentes momentos da vida muitos de nós vivenciamos esses sentimentos das mais diversas formas ao nos depararmos com situações que nos causam essas dores que são como um buraco no peito.
 
Para superarmos um luto, uma perda, uma dor, é preciso atravessar, é preciso vivenciar, é preciso ressignificar! É impossível lidarmos com qualquer coisa sem nos aproximarmos, você já parou pra pensar nisso? E mais! Ouso dizer que ao deixarmos de lado, ignorarmos nada some… Quando deixamos uma comida largada na geladeira ou uma panela que não queremos lavar… ixi! Infelizmente não desaparecem, pelo contrário, às vezes o problema fica ainda maior! Apodrece, fica fedido, bem mais difícil de lidar… Uma dor de cabeça sem tamanho!
E então, como lidar com esse buraco no peito? O que fazer com essa angústia que muitas vezes nos assola? É complicado, às vezes eu gostaria de ter uma resposta pronta, gostaria de ter palavras que resolvessem todas as questões, mas ao mesmo tempo, por mais que seja tentador vejo que também não seria uma boa saída, afinal essa resposta seria minha e não sua e a sua dor é sua e não minha! Por isso que compartilho com vocês uma frase também de Freud que pra mim é muito especial:
“A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” Freud
Para Albert uma forma de lidar com sua dor foi através da arte e para muitos essa se torna uma das saídas, uma das formas de escoar essa energia, de lidar com ela, ressignificá-la, encará-la. Para outros pode ser através de palavras, escritas, cantadas. Para outros os estudos. Para outros as viagens, novas descobertas. E tudo isso é válido, é precioso, nos permite ver que a vida é mais, que se pode mais! Mas não podemos correr o risco de nos enganarmos, de usarmos essas alternativas como uma forma de não lidarmos com o que realmente importa, é preciso falar, é preciso desengasgar, é preciso se permitir reviver os sentimentos que não foram elaborados.
É fácil? É linear? É um caminho simples? Não… mas acredito que não o fazer é pior, como já diria Lacan!
Existem várias formas de se fazer arte a partir da dor e sem dúvidas colocar a nossa dor em palavras para que ela possa sair do nosso peito é a mais bela arte!