Estava lendo o post que a Ana Suy postou ontem e fiquei pensando o quanto me identifico com a reflexão que ela fez… Desde o ponto inicial de quando ela fala da infância e de como “lógica da Lua de Cristal” tomou a mente das crianças daquela época nos fazendo acreditar que tudo era uma questão de esforço, e também quando ela comenta do encontro com a Psicanálise que ao mesmo tempo que é dura, é de uma validade ímpar pois nos mostra que mesmo tomados pela castração e limitação ainda podemos trabalhar para realizações de planos mesmo com a premissa que não, não podemos tudo, mas que isso também não quer dizer que não podemos nada…
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Muitos discursos – não só da nossa época, acredito que cada época tem a presença daqueles que prometem o mundo e o controle total de si mesmo – nos levam a crer que nada é impossível, que não existem limitações, que tudo depende de como você se esforça, ou melhor, do quanto você se esforça. Mas, como ouvi Collete Soler (fundadora de uma reconhecida escola de psicanálise e escritora fantástica) falando uma vez esse discurso não leva em conta uma “pequena” – e invisível aos olhos – parte de nós: o inconsciente… Isso se formos falar somente do que se refere a nós. Pois, se falarmos do ponto de vista da vida, esse discurso não leva em conta o nosso entorno, sejam eventos ou pessoas que vão agir para nos mostrar que a vida nos surpreende sempre!
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Mas então como seguir? Não podemos buscar uma melhora? Mais realizações? Melhoria dos nossos hábitos e atitudes?
Claro que podemos! Mas penso, assim como muitos de meus colegas, que devemos começar por um outro viés, ao invés de agirmos do que nos incomoda pra frente, pensando em mil formas de como nos “adestrarmos”… Que tal começarmos dando um passinho pra trás e agindo no sentindo de um acolhimento das nossas características, de uma compreensão maior do por que agimos como agimos e então começarmos a refletir desde o por que de uma possível mudança, mas também do significado dos nossos sentimentos, pensamentos e hábitos para como conseqüência vir uma possível ressignificação ou até mesmo, quem sabe, uma aceitação de que existem coisas que talvez nem precisem mudar?
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Não existem respostas prontas, mas acho que uma talvez exista: se maltratar, se tratar de uma forma que você não considera sua história, seus sentimentos e suas nuances como ser humano, pode até dar a impressão que vai funcionar… Mas, isso te coloca no lugar de máquina, de robô e isso tem como conseqüência a aniquilação de toda singularidade que você tem como o ser único que é, o que pode trazer consequências as vezes devastadoras…
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Não é a toa que a Psicanálise é a cura pelo amor, pois quando nos amamos passamos a nos respeitar e quando existe respeito, fala-se de limites e está tudo bem ter limites, eles estão aí para nos dar contorno e permitir que mesmo com eles possamos seguir. Pense nisso! 😉