Quem me conhece sabe que eu tenho uma implicância com a tal da “gratidão”, não gosto muito desse conceito à la Poliana que temos que estar sempre fazendo o “jogo do contente” e que não podemos nos permitir sentir nossas dores, angústias e decepções – nem que seja a decepção de pedir um bolo de chocolate esperando um bolo delicioso e vir um bolo mais ou menos….

Brincadeiras a parte, fico pensando sobre como há uma diferença gritante entre ressignificarmos situações, aprendermos a lidar com expectativas e então encontrarmos uma forma de lidarmos com o que temos e tentarmos fazer o nosso melhor; e a situação de não assumirmos que algo não está nos fazendo tão bem (ou NADA BEM) e ignorarmos nossos sentimentos, tentando empurrar “guela a baixo” de nós mesmos que algo no fundo é bom ou que tem gente passando por coisa pior.

Na vida passamos e sempre passaremos por dificuldades, desde pequenos quando vamos aprendendo a fazer novas coisas, passamos por frustrações e por passarmos pelas tentativas e erros que vamos nos construindo e construindo nossa maneira de manejar, de criar, de viver… Se uma criança não passa por tudo isso, ela não se torna independente, não aprende e não cresce…

É preciso se ter limites, para dentro desses limites se fazer o melhor, é preciso se deparar com o real das dificuldades para delas se construir novas alternativas, é preciso termos a noite para vermos as estrelas e é preciso pelo menos um pouco de escuro para a luz poder brilhar! ⭐

Não ignore suas dores, seus cantos mais escuros, mas olhe pra eles, fale, jogue luz através das suas palavras e então permita que haja um processo de elaboração.

O tentar estar feliz sem passar pelo processo de cuidado, pode acabar sendo um tiro pela culatra, pois o machucado que não é cuidado, pode não cicatrizar da melhor forma.