Amo esse relógio da foto, tão lindo, tão exuberante, quando você está na parte de fora do musée d’Orsay em Paris ele já chama atenção, mas quando você está dentro dele e vê o relógio assim pela parte dentro na sua grandiosidade e a cidade através dele… Sem palavras! É incrível!

As pessoas passam por ele, algumas rapidamente, batem uma foto, outras ficam lá a admirar, contemplar, aproveitando o momento…

Hoje fiquei a pensar sobre o tempo, vi um post da @psicologafloripa no Dicas anti-coach sobre tratamentos alternativos que prometem curas rápidas e milagrosas e fiquei pensando como se briga com o tempo, como queremos que ele seja rápido e indolor e nos traga o que tanto supostamente desejamos (pseudo normalidade e nossos objetivos por exemplo) numa urgência descomunal em que normalmente se pensa somente no fim e não nos meios e se quer reflete-se sobre tantas nuances por trás do que se está acontecendo e menos ainda dos porquês dessas necessidades desenfreadas…

Pra sermos quem somos o tempo passou, uma porção de experiências e uma junção de tudo o que vivemos e sentimos que resulta de uma forma e individual para cada um de nós… Mas, para se encontrar o alívio busca-se apertar alguns pontos, entrar em um estado de transe e apagar aquilo que não está fazendo bem, na promessa de que em uma, ou algumas sessões tudo seja resolvido!

Há muitos anos assisti o filme “O brilho eterno de uma mente sem lembranças”, não lembro muito bem de todos os detalhes, mas algo que me marcou foi que ao apagar as memórias da amada que ele tanto queria esquecer, muitas memórias ficaram pela metade e sem sentido… Será que ao apelarmos para tratamentos mágicos e alguma medida não queremos amputar partes das nossas histórias?

Acredito que o caminho de um profissional sério (acredito que independente da linha teórica) seria de através da fala incentivar seu paciente a falar dos acontecimentos de sua vida, como se fosse um caminho contrário, afim de se reconciliar e ressignificar.

No livro 5 lições de Psicanálise, Freud fala que não é sábio, nem verdadeiramente eficaz fazermos o caminho de uma “cura” de um evento traumático sem fazermos o caminho que nos leva até ele, é preciso ir com cuidado fazendo esse caminho de reconhecimento das nossas dores, existe toda uma história e um processo emocional e psíquico que precisa ser respeitado para verdadeiramente nos reconciliarmos. Ter uma catarse, falar um monte sobre de uma vez e sentir um alívio, não é um tratamento profundo e até mesmo eficaz, é um desabafo ou então uma epifania! Mas assim como fazer um curativo não resulta na cura instantânea, uma catarse não significa ressignificação! Pois como já dizia Freud em um outro momento: “recordar, repetir e elaborar”.

Que possamos ver o tempo, os processos e a caminhada não como inimigos, mas como nossos aliados e a única forma de crescer, que não seja sobre urgências, mas sobre vivências significativas!

E lembre-se: dizer que algo não é mágico e milagroso, não quer dizer que de tijolinho em tijolinho algo sólido e bonito não esteja sendo construído!