A Psicanálise através da produção do inédito

Recentemente estava assistindo um seminário do psicanalista francês Luiz Izcovich e uma das coisas que ele abordou foi sobre como comumente as pessoas ao chegarem a uma consulta com um psi tem a tendência de dizerem que querem voltar a um estado anterior à aquele que elas estão vivendo no presente.

Algo como uma busca ao momento anterior de um trauma, de uma dor, de uma decepção, ou até mesmo o estado anterior de uma doença; e ao longo dessa sua fala Luiz aborda que voltar ao estado anterior é algo do impossível, pois depois que passamos por uma experiência se torna impossível voltarmos a ser quem éramos antes dela.

(Pausa para respirar… Pode ser um pouco amedrontador se deparar com essa reflexão.)

Mas, sigamos! Não voltar ao momento anterior, aquele em que se tem a impressão de que se era mais feliz, não precisa querer dizer que continuaremos no mesmo estado de sofrimento… E é aí que entra essa frase (ao meu ver linda!) que coloquei em destaque:

“A Psicanálise cura através da produção do inédito”

Em um processo analítico não existem promessas, mas existem apostas.

Apostamos que aquele que vem, vai através e a partir daquilo que o angustia poder ao se deparar com aquilo que tem de mais íntimo: sua vida, seus sentimentos, sua história, produzir algo novo, algo inédito, a fim de poder então encontrar novas formas de gozar (termo bem psicanalítico), ou seja, viver a sua vida, produzindo então um viver que não é o anterior daquilo que tem vivido no momento atual, mas algo novo, inédito, algo singular!

Algo feito com seu caminhar, no processo rico, transformador, singular – muitas vezes assustador! – de ir escrevendo (no gerúndio) a sua própria história, num processo criativo de se reinventar com todas as adversidades, felicidades, experiências que a vida nos traz ao longo da nossa existência.